segunda-feira, 17 de março de 2008

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"Agora só espero a despalavra:
a palavra nascida
para o canto – desde os pássaros.
A palavra sem pronúncia, ágrafa.
Quero o som que ainda não deu liga
Quero o som gotejante das violas de cocho.
A palavra que tenha um aroma ainda cego.
Até antes do murmúrio.
Que fosse nem um risco de voz.
Que só mostrasse a cintilância dos escuros.
A palavra incapaz de ocupar
o lugar de uma imagem.
O antesmente verbal: a despalavra mesmo."

Manoel de Barros
("16" em "Retrato do Artista
Quando Coisa", 1998)

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